quarta-feira, 15 de agosto de 2012

APRESENTAÇÃO

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* É NATAL OUTRA VEZ


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Feliz natal 2011 e próspero 2012 


As casas nas cidades, cada dia mais, são verdadeiros anúncios luminosos anunciando o Natal. As praças e os jardins também. Milhares de lâmpadas coloridas se espalham por Belo Horizonte enfeitando as fachadas de casas e lojas; tudo muito alegre e iluminado com enfeites e anjos carregando estrelas. Até nos ‘shoppings’, onde a festa conta com a força do marketing e abençoada pelo espírito capitalista, imagens do menino Jesus relembram quem é o personagem principal da festa. Papai-Noel aparece de todo jeito vestido de vermelho - nas vitrines mais pomposas impera o rouge de Valentino, criador do vermelho mais famoso do mundo. O velhinho faz tanto sucesso que criança que é criança não abre mão de tirar uma foto sentada no seu colo.
Como nessa época parece que o tempo não existe, logo bate uma saudade danada dos natais da infância, lá em Passos; aquelas cenas que ficam grudadas na memória para nunca mais esquecer. Nada de presentes caros. A gente se divertia mesmo era com aquele monte de miudezas que nos enchia de alegria e felicidade. Isso porque o significado maior era a própria comemoração do nascimento do menino Jesus. A festa começava na véspera com a reunião dos familiares para a preparação da farta ceia com leitões, patos ou franguinhos assados - peru ainda era uma ave rara. Mas também não podia faltar galinha gorda ao molho pardo, nem pão de queijo, broa de milho, rabanada e rosca da rainha. Os doces em compotas guardados lá na cristaleira das compotas – de sidra, de goiaba, cortadas em taladas grossas – eram todos dispostos na grande mesa. Enfim, Natal é presença, não ausência. Tempo de festejar a família e os amigos - até para quem não era cristão simbolizava amor e amizade.
Na noite do dia 24, geralmente chovia - essa a impressão que me ficou. Mas, com tanta coisa na cabeça e a fantasia sempre a mil, a meninada dormia mais cedo cheia de expectativa e a imaginação focada nos presentes que o Papai Noel iria colocar nos sapatinhos deixados ao pé da árvore de Natal, nas janelas ou debaixo da cama de cada um.
Os adultos, todos bem dispostos, desde as 11 horas, começavam a cantar canções natalinas. Quando o relógio de Igreja Matriz badalava meia-noite - poderia não ser a mesma emoção para cada um, mas a homenagem era única - as luzes se apagavam e todos se juntavam para trocar abraços e beijinhos nas faces, desejando um para o outro muita paz e amor. Em seguida, a troca de presentes e, só depois, a esperada ceia farta.
Com o raiar do dia, o Natal amanhecia com a molecada muita excitada a desembrulhar os presentes. Hora de cada um exibir o seu e começar a brincar com as novidades, porque presentes ganhos teriam que ser mostrados. Isso era tão bom como beber guaraná ‘Champagne’, o famoso caçulinha, furado com prego na tampa. Festa barulhenta e encantada. E o melhor: podíamos comer de tudo até doer o queixo, a qualquer momento, em casa ou na casa dos parentes.
Desde que me entendo por gente ouço criticas ao consumismo natalino ‘não existe mais nenhum espírito cristão... é só comércio... dizia minha mãe por volta de 1960. Mas, sem sombra de dúvida é uma festa alegre, mesmo para aqueles que não acreditam no Papai-Noel, anjos e arcanjos. Natal é a alegria possível, porque a vida é muito curta e o amor é o nosso maior dom, como nos ensinou Chico Xavier.
‘Hoje a noite é bela/Juntos, eu e ela/vamos à capela’. A estrela que indica o caminho não está tão distante assim, está dentro de cada um de nós.
- Feliz Natal!!!... Ho ho ho.


* FBN© - dezembro de 2009 - É natal outra vez - Categoria: Crônica. Autor: Welington Almeida Pinto.

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* O autor e sua obra

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 Welington Almeida Pinto
 
 

Mineiro de São Roque. Apaixona-se desde cedo por livros, pela poesia, por personagens históricos e literários. Em 1971, conclui seus estudos em Passos, Minas, e transfere-se para Belo Horizonte, empregando-se no departamento contábil de uma empresa imobiliária, sem abandonar o gosto pela leitura dos grandes clássicos da literatura universal e a prática de Escritor e Jornalista.

 

Entusiasmado com o movimento cultural da Capital frequenta as reuniões da Academia Mineira de Letras e outras instituições culturais. Estimulado pela criação literária visita cidades da Europa e das Américas. De 1972 a 1976, Estuda no Centro de Pesquisas de Artes Plásticas da ACM, especializa-se em Publicidade e funda sua Agência.

 

No Teatro, produz ‘A Cela’, de sua autoria. Depois adapta e monta ‘Flicts’, de Ziraldo, como peça adulta, ambas dirigidas por Luciano Luppi. Participa da equipe de produção do espetáculo ‘A Noite dos Assassinos’, de José Triana, dirigida por Paulo Cesar Bicalho. Adapta ‘O Pequeno Príncipe’, de Antoine Saint-Exupery, para teatro infanto-juvenil, com trilha sonora de Fernando Boca e direção de Noema Tedesco. Publica Aula-Viva, com 6 scripts temáticos da História do Brasil para aplicação em Sala de Aula.

Eleito para o Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais, associa-se também à UBE – União Brasileira dos Escritores/São Paulo,SP, à ABRALE-Associação Brasileira de Autores de Livros Educativos/São Paulo,SP e à AEI-LEJ - Associação de Escritores e Ilustradores de Literatura Infantil e Juvenil/Rio de Janeiro.

 

Publicou contos infantis no Gurilândia, do jornal ‘Estado de Minas’, Belo Horizonte, ‘Zero Hora Infantil’, Porto Alegre e ‘Gazetinha’, do Gazeta do Paraná, Curitiba.

 

Livros Publicados

 

Literatura infantil - Coleção Infantil Vitória Régia/Edita, 1997: ‘A Águia e o Coelho’ – ‘Clin-Clin, o Beija-Flor Mágico’ – ‘Tuffi, o Elefante Equilibrista’ – ‘Seu Coelhino, em Viagem ao Sol’ – ‘O Gato do Mato e o Preá’ e ‘A Caçada’ e ‘O Ataque do Furadentes’.

 

Literatura Infanto/Juvenil/Edições Brasileiras/1998: ‘Malta, o Peixinho Voador no São Chico’ – ‘Santos-Dumont, no Coração da Humanidade’ – ‘A Saga do Pau-Brasil’.

 

Literatura Adulta/Helbra/1969: ‘A Cela’ - Antologia Poética/2008 – ‘O Voo do Pássaro Dourado’.

 

Toponímia/Edita, 1987: ‘Dicionário Geográfico e Histórico do Estado de Minas Gerais’ – Edita, 1986 – ‘Dicionário Geográfico e Histórico do Estado de São Paulo’

 

Legislação Brasileira/Edições Brasileiras/1993: ‘Condomínio e suas Lei’s – ‘Licitações e Contratações Administrativas’ – ‘A Empregada Doméstica e suas Leis’ – ‘Lei do Inquilinato’ – ‘Assédio Sexual no Local de Trabalho’.

 

Dramaturgia/Edita/1978.: ‘A Cela’ – peça adulta, adaptação do livro do mesmo nome – ‘Flicts ‘- adaptação do livro “Flicts”, de Ziraldo – ‘Pequeno Príncipe’ - adaptação do livro “O Pequeno Príncipe”, de Saint Exupéry – ‘História do Brasil, em Aula Viva’ - adaptação de temas históricos para teatro, aplicados em sala de aula -

 

 

Homes na internet: welingtonpinto.blogspot.com – vários livros disponíveis rentabilizados pelo sistema Google Ad Sense. E-mail: welingtonapinto@gmail.com ; welingtonapinto@yahoo.com.br -

 

 

O AUTOR POR ELE MESMO:

 

Quando cheguei ao mundo, no ano de 1949, a 18 de março, a cegonha trouxe junto um anjo. E deixou um recado com a parteira: ... ele vai precisar, sempre. Ao tomar meu primeiro banho, soltei um grito e quase caí das mãos de minha bisavó. Creio que foi um grito e um gesto de alegria, aplaudindo a vida.

 

Aos dez, onze anos descobri a leitura através das obras de Vicente Guimarães ( Vovô Felício), Monteiro Lobato e outros. A partir daí comecei a construir meu universo de palavras, letra a letra, pondo em ordem aquele emaranhado de ideias que fervilhavam em minha cabeça.

 

Nos anos 1960, apaixonado pela cultura, mudei-me para Belo Horizonte, onde imaginava cursar gratuitamente uma boa universidade. Logo percebi que isso era privilégio para poucos.

 

Autodidata, mergulhei cedo na literatura e no jornalismo, e depois na publicidade, quando iniciei a publicar meus livros. Meu anjo!?... Nem torto nem reto me ensinou a sorver a vida como quem saboreia uma poesia, mesmo que, às vezes, concreta demais.

 

* Encontro na Literatura o compromisso de uma obrigação que há anos venho lutando para cumprir. Welington

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sexta-feira, 4 de maio de 2012

* O ABADE TRAVESTIDO

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Nava retira do maço mais um cigarro e acende. Depois da primeira tragada, expande no rosto um sorriso maroto e, num estalar dos dedos, chama a atenção de um garçon, que se aproxima da sua mesa no salão do Café Estrela.
- Epitácio, tudo bem?
- Tudo. O de sempre?
- Não. Uma dose reforçada de Kummel.
- Animado, hein? – interfere Drummond, sentado ao lado.
- Epitácio, pode trazer – confirma Nava.
- Sim, senhor.
E virando-se para o amigo.
- Cadê o Agenor?
- Ficou de passar mais tarde. Pelas oito.
- Ótimo. Enquanto ele não vem lhe conto algo fabuloso que li hoje num pasquim nefelibático que recebi de Paris. Interessa.
- Sou todo ouvido – dispõe o poeta, curioso.
- Estampa uma notícia em que revela a história de um religioso no moldes de Don Juan.
- Ora Nava, se for lorota, não. Agradeço.
- Não é não. De morrer de rir.
- De quem você quer falar?
- De um abade que, como se fosse a manifestação terrestre do diabo, viveu fantásticas histórias de amor na França. Pervertido, o padreco se vestia de mulher para exercer suas conquistas.
Drummond admirado:
- Ah!... Deve ser mais um personagem imaginário de algum escritor francês de segunda classe.
- Não é não. De carne e osso. Há relatos preservados em “L’ Enfer de la Biliothèque Nationalle, Eros au Secret”. Já ouviu dizer?
- Nunca.
- Faz parte de uma coleção de livros imorais guardada, a sete chaves, na Biblioteca Nacional da França, desde o século XIX, por ordem de Napoleão Bonaparte.
- Nunca li nada a respeito.
- Abade francês tinha o desejo sexual como o fio condutor de sua vida. Seu negócio era disfarçar de uma senhora e se aproximar das mulheres da corte de Luís XIV. Seduzia as francesinhas com a promessa de compartilhar “segredinhos femininos” – elucida Nava.
- Meu Deus!
- Que cara é essa, Drummond?
- Difícil de acreditar.
- Detalhe: escolhia suas presas pelo aspecto da pele, pelo brilho do cabelo, pela idade e, consequentemente, pela classe social. Defendia que mulheres com essas características favoreciam seu trabalho.
- Sério?
- Sério.
- Ó mon Dieu! – exclama Drummond.
- Dizem que esse leal e devasso representante do “São Príapo” doutrinava suas discípulas no sentido em que sexo no casamento não deve ser enfadonho. Mas apimentado, surpreendente e cheio de fantasias.
- Caramba! Quando foi isso?
- Ele viveu de 1644 a 1724. Não é à toa que o mocinho recebeu o apelido de Kama Sutra católico.
- Curuis credo!
Nava em tom recitado:
- Por baixo do seu ar submisso e respeitoso, esconde-se uma dissimulação de Jesuíta. Ninguém melhor do que ele para se aproximar sorrateiramente e dar uma mordida no pé..., como bem diz Tchekhov num dos seus contos ao descrever um cão sardento.
- Ah, essa é boa!
- Pois é. O sagrado, além desse e de outros casos, vem conquistando cadeira cativa no mundo da concupiscência sexual.
- Abomino. Abomino.
- Paris é linda e fascinante. Coloca em evidência os bastidores da Igreja Católica e sua luta secular contra o demônio que não poupa nem mesmo os tementes a Deus.
- É. Provavelmente foi expulso da congregação por insubordinação mental e sexual. A verdade liberta, a mentira escraviza, não é assim. Sem dúvida, ele curte as fontes luminosas do inferno de Dante – assevera Drummond.
- Outro objeto que desperta alvoroço no mundo cristão.
Pedro bebe toma o resto da bebida. E pede uma dose chorada de conhaque francês. Carlos, indiferente, retira do bolso o relógio e confere as horas. Logo diz ao garçom que apetecia tomar Guaraná Champagne Antárctica.



* FBN© 2011 – O ABADE TRAVESTIDO/Welington Almeida Pinto/Categoria: conto.
Coletânea on-line: BEAGÁ ASSIM COMO ERA – www.memorialiteráriabh.blogspot.com